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    O que guardar, o que pagar e o que nunca fazer quando receber o INSS ou o Bolsa Família

    Carlos Cartaxo27/06/202600
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    Receber o INSS ou o Bolsa Família e não saber para onde o dinheiro foi antes do fim do mês é uma das situações mais frustrantes para quem depende de renda fixa. Não é falta de dinheiro: na maioria dos casos, é falta de organização antes do dinheiro chegar. Veja as regras práticas que funcionam para quem vive de benefício.

    Regra 1: decida para onde vai o dinheiro antes de ele cair

    O maior erro de quem recebe benefício é esperar o dinheiro cair e só então começar a pensar no que pagar. Quando o dinheiro está disponível, as tentações são maiores e as decisões tendem a ser piores. A lista de prioridades precisa estar pronta antes do dia do crédito.

    Faça a lista nessa ordem: contas fixas que vencem até o próximo pagamento, alimentação estimada para o mês, transporte, e só depois o que sobrar pode ir para outra coisa.

    Regra 2: pague as contas fixas no dia que o dinheiro cair

    Contas fixas como aluguel, energia, água e prestações não ficam mais baratas se você esperar para pagar. Pagar no dia do crédito elimina o risco de esquecer, de gastar o dinheiro em outra coisa e de acumular multa por atraso. Se possível, ative o débito automático para as contas que permitem essa função.

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    Regra 3: nunca use o dinheiro de contas fixas para outra coisa

    O valor separado para aluguel, energia e outras contas fixas não é dinheiro disponível. Usar esse valor para qualquer outra coisa, mesmo que pareça urgente no momento, quase sempre resulta em atraso de conta, multa e juros que pesam mais do que o benefício temporário da compra ou gasto feito com esse dinheiro.

    Regra 4: construa uma reserva mínima de emergência

    Mesmo com renda limitada, é possível construir uma pequena reserva ao longo do tempo. Separar R$ 30 ou R$ 50 por mês durante 12 meses resulta em R$ 360 a R$ 600, suficiente para cobrir uma emergência pequena sem precisar recorrer a empréstimo. O valor guardado pode ficar na poupança do Caixa Tem ou em qualquer conta que não misture com o dinheiro do dia a dia.

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    Regra 5: evite crédito rotativo a todo custo

    Cartão de crédito com fatura não paga integralmente, cheque especial e qualquer forma de crédito rotativo têm taxas que podem superar 10% ao mês. Para quem vive de renda fixa de benefício, entrar em qualquer crédito rotativo é quase sempre o início de um ciclo de dívida difícil de quebrar. Se precisar de crédito, o consignado com desconto direto no benefício é sempre a opção menos cara.

    Como aplicar tudo isso na prática

    1. No dia anterior ao pagamento, anote todas as contas fixas com vencimento nos próximos 30 dias e some o total;
    2. No dia do pagamento, transfira esse total para uma conta separada ou guarde mentalmente que ele não está disponível;
    3. Estime o gasto com alimentação e transporte para o mês e separe esse valor;
    4. O que sobrar é o que realmente está disponível para despesas variáveis e eventuais;
    5. Se não sobrar nada, o problema não é o benefício: é que as contas fixas estão maiores do que a renda. Nesse caso, o CRAS pode orientar sobre programas complementares disponíveis no município.
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    Perguntas frequentes

    Como organizar as finanças se moro com outras pessoas que também recebem benefício?

    Some todos os benefícios da família e some todas as contas fixas. Divida as responsabilidades por conta antes do dinheiro cair: quem paga o aluguel, quem paga a energia, quem compra a alimentação. Quando cada um sabe o que é sua obrigação antes do crédito, o dinheiro rende mais.

    Vale a pena ter poupança se o rendimento é baixo?

    Sim. A poupança não é para enriquecer: é para ter um colchão de segurança que evita que um imprevisto vire dívida. R$ 200 guardados na poupança podem evitar um empréstimo de R$ 200 com juros de 10% ao mês. Matematicamente, guardar sempre vale mais do que pegar emprestado.

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